terça-feira, 1 de maio de 2012

(mu)danças

Mudei o cabelo, os bares, a cor do esmalte. Troquei o vinho por cerveja e o bistrô francês por queijo coalho. A fronha do travesseiro não é mais branca e a sapatilha tem sido meu máximo de sofisticação.
Desliguei a TV e o rádio, liguei a respiração. Passei a assistir meus sonhos e dar risada do chute na quina do móvel. Voltei a dançar. Valor hoje, é para a presença. Presença, a quem faz bem.
Tenho falado menos, trabalhado mais. Subi uns centímetros do vestido e desci outros da preocupação. Planejo e executo. O tapa do orgulho deixou de arder.
Troquei os amores e o jeito de amar. Troquei a pulseira. O local da viagem. Comprei cama nova.
Aprendi baixezas e elevação do espírito. Já sei dizer "wherever". O romantismo é só visita e a expectativa é isso, ex. 
A argila dos princípios secou. Alguns inclusive, quebraram. Mesmo andando em círculos as árvores cresceram, reformaram o asfalto. 
Notei que colo mesmo, só o tempo dá. O bumerangue volta, mas por um outro trajeto. A vida mudou, me mudou... inclusive ao me fazer entender que certas coisas são imutáveis.

Mesmo com a pele envelhecendo, o inesquecível tatua. 




domingo, 22 de abril de 2012

ON/OFF

A vida debocha da cara das suas peças. Ignorantes peças que acreditam estar no comando.
Burle os 'termos de uso': seja menos que brilhante no trabalho, falhe na educação dos filhos, ligue pro gato no dia seguinte... As regras existem para manter a ordem, a transgressão, para sairmos do comodismo. "Sem transgressão não há evolução". No entanto, não há transgressão sem retalhação... Talvez daqui um tempo, com a humanidade (ou nosso umbigo) mais acostumados com a ideia do novo, possamos colher algum fruto. Até lá, acostumemo-nos com a ansiedade puncionando a gastrite.
A condenação a um pensamento pobre, pequeno. Poucos estão dispostos a sair da caixa. 
Progresso... será? As mulheres se livraram do stigma de eternas donas de casa, do não direito ao voto e em contraponto conquistaram a "obrigação" de serem profissionais competentes, magras e opositoras da formação de família antes dos 30. Os homens, além de sempre atualizados, firmes e bem sucedidos, também precisam ser sensíveis e com alguns dotes domésticos. Ninguém pode fraquejar, porém, se acontecer, temos tarjas pretas e psicanalistas excelentes. As regras estão aí, expostas ou subliminarmente instaladas em "valores". E não é porque você não concorda com o novo semáforo que poderá ultrapassá-lo.
O que falta nas pessoas é sutileza. Perspecção dos detalhes da vida. Menos soldadinhos seguindo o comando. Falta questionamento. Falta respirar mais fundo. Falta mais "dane-se". Sentir mais e pensar menos.
Falar sem medo de chocar. A instalação do politicamente correto calou o mundo das grandes sacadas e então caminhamos nessa pseudo-liberdade enclausurada em ideais... e 'é muito ideal pra pouca ideia'.

Uma alienação confortável.

domingo, 1 de abril de 2012

Sobre a ilusão do "felizes-para-sempre"

Hoje me deparei com um texto que descrevia romantica e ironicamente o ato de dividir o mesmo teto com alguém. E a história continua mais velha que andar pra trás: quem tá fora quer entrar e quem tá dentro reclama. Casamento é como aquela piscina gelada onde seu amigo grita "pode vir, a água tá ótima". E a gente pula.
Morar com alguém é o máximo de intimidade que podemos ter. Vide a família: amamos nossos pais, mas vez ou outra deu vontade de meter o pé em tudo, não é? O que faz um ser de cabeça pensante achar que no casamento será diferente? Não importa se é com ou sem papel passado. Você mora com outra pessoa, bebê. Por mais moderninho que seja o casal, existe a necessidade de dar satisfações, existe louça pra lavar, encanamento vazando e lixo do dia anterior que não foi posto pra fora (e estava na sua vez).
Convivência e romantismo repelem-se. O casal fica tão próximo que ele sabe do pelo encravado da última depilação dela que, por sua vez, não se importa mais com o furo no pijama (na verdade é uma camiseta velha).
Não, não é romântico ouvir o ronco dele. Discutir a temperatura do quarto. E NINGUÉM beija ao acordar antes de escovar os dentes. Pode parecer bobagem, mas bobagens ridículas dessas minam a graça de estar junto. 
Mas tudo isso é tão pequeno diante da amplitude que é dividir a vida com alguém... Se você se considera maduro suficiente para aguentar os pequenos trancos da vida a dois, avance uma casa. Avance para os grandes trancos.

Cumplicidade. Impossível ter uma vida decente a dois sem a parceria sincera do casal. Ok, individualidade sim, além de necessário é fundamental. Mas olhar juntos para o mesmo horizonte é vital pra saúde de um casamento. Caramba, você mora com a pessoa, se não tiver assuntos e planos em comum, que porcaria de vida é essa? Sexo? Desculpa criança, mas definitivamente, isso não é tudo... é um BOA parte, porém, uma parte que vai desmoronando a partir do momento que os demais laços vão se afrouxando... ou se apertando demais. Pois é, a posse também é um belo copo de cianureto aos pombinhos. 
Egoísmo, intolerância... eu poderia listar terabits de pedregulhos na estrada de um relacionamento. Pontos que insistimos não enxergar com a lente cor-de-rosa da ilusão. Mas não existe lente forte o suficiente. O tempo sempre a quebra e mostra um mundo real onde, se não formos práticos, sinceros e pacientes, o conto romântico termina em filme de guerra. Ou pior, em cinema mudo.
Está disposto a ficar 3 meses sozinho enquanto ela estiver no intercâmbio? E você, encara acordar às 3h da madrugada pra resolver problema da família dele? Casamento é hard core, meo bein. Se a cada birrinha você pirar, chutar o balde ou dormir na casa da mamis, desculpa, mas é melhor continuar no namoro. Continuar sentindo saudade, se arrumando pra quando ele chegar... e se contentar com a conchinha uma vez por semana (na verdade, depois do casamento acontece muito menos que isso).
Se eu pudesse dar um conselho a quem pretende encarar o desafio, eu diria que a chave de tudo é o companheirismo. O respeito pela vida daquele que divide a cama com você. Sem grandes dramas ou cobranças. Ser realista, preservando alguns encantos. É, um ciúme bobo ou um passeio inusitado de vez em quando ajudam, sabia? Caso contrário, vão virar estatística para a próxima pesquisa sobre divórcio. 
Acredito sim nas relações, desde que aja maturidade. E maturidade não é ser cara fechada levando tudo a ferro e fogo, ao contrário, é ter leveza para suportar os 'surtos', rir de si mesmo e do outro, é ter confiança... nos dois. Entender de uma vez por todas que, se alguém está ao seu lado é por vontade, não por obrigação. Ele(a) PODE escolher outra pessoa a qualquer momento, mas hoje, escolheu estar com você. E isso é muito, pode ter certeza.


segunda-feira, 26 de março de 2012

Ponto... Ponto? Ponto.


Fim do texto. As palavras terminaram. Foi ponto final.
Depois de tantas reticências e interrogações, a exclamação grita “acabou!”.
Via-se a experiência entre aspas, não pertencente ao contexto. Como se a voz do Autor Divino delimitasse seu tempo. E o fez.
Fracionado muitas vezes pelo humor negro das vírgulas, chegou a confundir pela complexidade da estrutura. Faltou concordância. Algumas linhas vazias. Excesso de letras em outras. A condenação pela não linearidade. O erro.
Por vezes ansiou-se o início de um novo parágrafo. Mesmo que morto. Mesmo com o término das páginas. A falta de tinta. 
A mesma ânsia que provocava o delírio pelo vislumbre dos dois pontos, o signo da expectativa... O ponto final duplicava-se, transfigurava. Alonga, estica. Vira travessão. E cria-se um novo parágrafo... que lá se domestica. E lá fica... Esperando a voz da próxima frase.

E como é difícil ler o silêncio.


quarta-feira, 14 de março de 2012

O conto novo


Entra, deixa a chave na mesa.  Deixa os problemas lá fora. Se deixa.
O microondas vai apitar, abre o vinho pra mim?
É, é um conto novo. Do novo. Não adianta me desconcentrar.
É pelo pão do dia. Pelo salto fino. 
Deixa eu te contemplar, é só o que basta pra inspiração chegar.
Não sei... mais uma taça? Espera, faltam só alguns trechos.
Algumas páginas, eu acho. Me diz, pra que esse perfume?
Preciso continuar, é sobre o vislumbre de uma nova terra. Liga o ar, tá quente.
Sim, pode tentar. Mas já adianto que com as palavras não é fácil lidar.
O teu conto é mais profundo, profano. Não vende. 
Me escreve com os dedos na nuca... Espera, tenho que continuar.
Desenha os parágrafos nos lençóis, são brancos e novos. Toca, pode tocar. Assopra tuas rimas na minha cintura. 
Tá certo, ele pode esperar.
Mais tarde termino. O conto novo. Do novo. De nós.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

A menina dos doces


Ela anda, ela dança, ela flerta. Adoçando com fumaça de praliné o cinza das cidades.

Forma melodia açucarada com as buzinas e britadeiras.
Ela flutua entre as paredes exalando seu perfume de balas de goma.
Sorri de cócegas dos raios de sol na cintura. Raios de mel contornando as preocupações.
Lambuza com calda de chocolate os atrasos e gritos.
Ela adoça a vida. Ela é doce. Ela é a menina dos doces.
Tem blueberry no olhar e sorriso de cereja fresca.
Carameliza os sorrisos. Embriaga com licor os desejos.

Recheia os dias com creme de avelã.
Sutil e delicada como algodão doce.

Esfria os ânimos com sorvete.
E massageia o imaginário com pedaços de doce de leite.
Faz chover flocos de arroz. Confeita com marshmallow os caminhos.
Necessária como calda vermelha na maçã do amor. 
Ela salva. Ela mata. 
Não enjoa... 
E vicia.


quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

O que é amor pra você?



Há algum tempo atrás minha resposta seria cheia de floreio cor-de-rosa e uma carga extra de egoísmo. O excesso da necessidade de reciprocidade. Hoje, tenho a audácia de discordar de Martha Medeiros quando ela diz que ‘o sentimento mais bonito é o sentimento correspondido’. Não Martha. O amor pra ser bonito não precisa receber amor de volta. O verdadeiro, que faz parte do sublime, da entrega verdadeira. É o bem-querer sem expectativa. O amor livre.
Livre para amar... e só. Sem precisar de atenção, presença. Aquele amor que faz a gente dar a vida por quem não nos daria sequer um bom dia. Sim, existe. Eis o exemplo dos pais!
Existe amor mais perfeito entre os seres viventes que o amor de uma mãe ou pai para um filho? O amor incondicional. Para um pai ou uma mãe a felicidade e o bem estar de um filho estão acima de qualquer interesse. Entre vê-lo feliz na Austrália e tê-lo frustrado a seu lado, eles não tem dúvidas em que optar. Se um filho erra 300 vezes, os pais perdoam 301. Sabem que os filhos não os pertencem. Mas o amor que sentem, sim. 
Não deu certo na Austrália... mas os pais o recebem de volta. Numa discussão, de onde podem sair mágoas, os pais perdoam. Perdão é amor. Casos que pais e filhos rompem por anos e nunca, jamais deixam de amá-los. Criam com todo o afinco e num ato ímpar de generosidade, entregam o filho para viver com outra pessoa... desprendimento é amor. O melhor presente é sempre para ele. Querem vê-lo progredir, ensiná-lo a viver. A saudade é insignificante perto da alegria em ver a realização de um filho. E se somos capazes de amar dessa forma a um filho é porque temos capacidade plena para exercer esse sentimento com quem quer que seja.
Amor é isso, abnegação, resignação. É ter paciência, tolerância. Perdoar e receber de volta quantas vezes forem necessárias. Ser admirado pelas atitudes, a troca é consequência. Acho um pouco cruel essa segmentação do sentimento: amor de irmão, amor de amigo... amor é amor! É mais que querer estar junto, é querer a felicidade do outro, do nosso lado ou não. O desejo de possuir dá lugar à vontade de querer o bem. Que seja feliz, longe ou perto, mas que seja feliz. Isso é, de longe, o sentimento mais maravilhoso que eu conheço.
Acredito que seja um exercício que, como aquele da academia, no começo é bem difícil e dói um pouco. Mas depois de um tempo se torna tão natural que a gente sente falta quando não pratica. A abstenção da necessidade de posse é uma libertação. Desintoxica a alma e economiza rugas. No amor livre, assim como um pai pode esperar uma vida pelo filho, nós podemos esperar vidas pelo nosso amor, porque a gente ama, pura e simplesmente, como parte do cotidiano. E se um dia tivermos o privilégio de receber esse amor de volta, depois de tanto exercício, o coração estará bem mais saudável para acelerar o ritmo e bater mais depressa.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Virando

Virou o ano... Alguns viraram a cabeça, outros viraram santos. Uns viraram o volante na contramão, outros viraram caminhantes de uma linha reta. Viraram a cintura, os olhos, viraram os quadris.
Alguns viraram o pescoço. E torceram. Outros enxergaram além do limitado campo da visão. Houve os que se viraram ao avesso expondo a carne sem pudor. Viraram loucos, viraram sãos. 
Alguns viraram a própria escuridão enquanto outros viraram o farol da massa.
Viraram voluntários.
Viraram doentes em suas certezas. Outros viraram a cura pelo aprender. Viraram ex-fumantes... articulistas econômicos... Viraram morada da solidão.
Viraram a alegria da vida de alguém.
Viraram devotos, viraram pagãos.
Uns viraram chatos. Uns, indispensáveis. Alguns viraram naturalistas e tem aqueles, ah, aqueles que sempre viram os sabe-tudo, achando-se capazes até de descrever as "viradas" de cada um.
Viraram o copo, o espelho, a esquina.
Virou amor pra vida inteira.
E você, o que virou?

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

De roupa nova


Vestiu roupa nova. Um novo shampoo para os cabelos e um creme antirrugas maravilhoso. Novos dentes, novo sorriso. Era visivelmente mais bela. 
Vestiu-se de amor.  Haviam flores estampadas na pele que brilhava de saúde. Encobriu-se de perdão e pôde constatar que não existe maior alívio no mundo que encostar a cabeça no travesseiro sem mágoas ou rancores no coração. Era livre.
Estava vestida com a paz interior. A nova roupa de seu coração era realmente bonita. Tinha liberdade para sentir sem esperar nada em troca. A sinceridade tocou sua alma de forma tão profunda que não importava se outros acreditavam. Ela acreditava. Deus acreditava. E viraram amigos.
Nas muitas conversas diárias ela pedia pelos seus, por quem não era mais e por aqueles que não gostavam de sua forma de vestir. O desejo era roupa nova para todo mundo. 
As cores dos sapatos eram claras e a cada passo a calçada se iluminava. Eram sapatos especiais. Pequenas borboletas coloridas acompanhavam sua caminhada atraídas pelo perfume suave que emanava. Lembrava verbena. 
Chovia ainda, mas uma chuva morna que só faziam os pés deslizarem mais facilmente pelos caminhos. A turva tempestade havia passado. Alguns buracos escuros surgiam, mas os anjos – pequenas borboletas coloridas – evitavam que tropeçasse.
Não sabia o destino final, mas desejava continuar caminhando. Levar roupa nova e distribuir perfume pelos caminhos. De alguma forma, sentia que valeria a pena.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Só amor só

Decidira deixá-lo em paz. E amava-o nos trechos dos tempos vazios. Nas vielas escuras de seu peito onde o ar úmido cheirava o perfume das costas dele. Amava porque já não era possível deixar de ser. Tampouco deixar de ter. De ter o amor que era responsável pelos batimentos e pelos despertares. Amava com a serenidade de um mar manso, contendando-se com as alegrias das lembranças... Por mais um momento ela amava. Lendo o caderno de humor ou mastigando a bala de amendoim... amava nos intervalos. Nos sonhos e nas visões... Na fila do queijo e na loja de toalhas. As toalhas lembravam tanto ele. Desistira de querer não querer. Já fazia parte de seu hábito vital. Havia amor por toda parte, na escova de dentes. Quem pode viver sem uma escova de dentes? A dor havia sido incorporada, estava nas pálpebras e entre as cutículas.  Indissolúvel de sua alma, amava tanto que passou a se-lo. Amava porque ela era o próprio amor. O amor que a pele possuía e devorava, alimentando-se dos suspiros e dos desejos passivos. Impossível desprender. Ele nada sabia mas fizera do corpo dela sua morada inconsciente. Ela que decidira não mais importuná-lo com seus devaneios insistentes. Observava-o de longe. E amava-o de perto, bem perto, por entre os tecidos. Sem sacrifícios. As imagens estavam em suas artérias e o bem querer nos pulmões. Bastava que respirasse. Ela amava... Respirava... E o deixava em paz.

domingo, 30 de outubro de 2011

Amar? Fica pra próxima!

O mundo anda cada vez mais rápido. Anda não, corre. É informação na velocidade da luz. Formamos uma geração imediatista, onde todas as respostas podem ser encontradas no São Google em segundos.
Diante de tanta rapidez, percebo que as pessoas perderam a paciência para o amor. Nunca antes relacionamentos foram tão difíceis de serem mantidos. Por quê? Acostumamo-nos tanto com as instantaneidades que fica impossível parar alguns minutos para uma franca conversa.
Instalados nessa sociedade de idolatria ao ego, ao consumismo próprio e desenfreado, é difícil pensar em  faltar um dia da academia pra fazer um jantar especial àquela pessoa.
Jogos de conquista? Esquece, eles duram pouco mais que alguns minutos. Estamos sem tempo para charme, ligações inesperadas, flores... O lance agora é pular em cima do pescoço do ser desejado, sugar todo o prazer possível e ir embora. Para o próximo. Próximos. Muitos.
D.R. hoje é sinônimo de cafonice. Ele não quer sexo? Melhor partir pra outro. Não há tempo pra entender os problemas que ele tem passado. 
Estamos em uma era doente. O tumor da falta de tempo, quando na verdade preenchemos nossas vidas com coisas cada vez mais vazias. Exige-se muito então devoramos informações, aparelhos tecnológicos, MBAs e afins... Cadê tempo pra fazer carinho nos cabelos dela? Sem tablet ou smartphone nas mãos... Sem se importar com a quantidade de e-mails que estejam chegando...
Tempo pra cuidar da relação, como nós cuidamos da nossa aparência, da nossa posição profissional. Isso é cada dia mais raro, o que tem gerado uma massa de pessoas superficiais e solitárias. Não por vontade própria mas por se deixar envolver na teia de ocupações pseudo-inadiáveis e adiando sempre o que importa, ou quem importa.
Tempo pra cuidar do outro. Conhecer, entender, respeitar. Tudo isso envolve o amor. Ou será que as pessoas acham que o par perfeito é igualzinho, lindo e sem problemas? A individualidade tão pregada beira ao egoísmo: "Problemas seus, são seus. Dos meus eu cuido."
Cumplicidade. Formam-se muitos casais. Mas sem tempo para serem cúmplices.
Então nos veremos com sessenta anos, três casamentos fracassados, fotos de viagens incríveis e um carro bacana. Suspirando sempre uma certa melancolia de que faltou alguma coisa. É, faltou tempo. Faltou amor. Faltou inteligência para perceber que sem isso, o coração fica vazio. E a sensação mais sublime de saciedade que podemos ter é olhar um par de olhos brilhando na nossa frente durante o jantar...

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

O circo


Eu fiz umas boas maluquices pra chamar tua atenção. E quer saber? Por algum tempo você foi o mais empolgado da platéia. Fiz mágica pra poder te ver. Andei na corda bamba pra equilibrar as brigas. Eu fui trapezista pra te impressionar. E te deixar com frio na barriga. Adivinhei pensamentos seus nos meus números de mágica. E te arranquei sorrisos lindos quando me vesti de palhacinha. Nos intervalos você me apertava pela cintura atrás das coxias. E me levava algodão doce... Com o contorcionismo levei amor dos pés a cabeça. E com malabares eu fazia graça pra te mostrar habilidade. A habilidade de equilibrar o amor acima do ciúme na pontinha da cumplicidade. Eu sei, você sempre preferiu meus números sem maquiagem, sem salto, sem roupa... E também fui artista despida. Por você, eu era tudo. Eu fazia qualquer número. Você foi, por muito tempo, o MEU respeitável público... Mas você foi embora antes que o espetáculo acabasse. Não se importou com meu cansaço, nem com a minha dor nos pés. Eu chorei sim, porque a razão da minha arte havia partido e levado meu coração. Mas sou artista meu bem, preciso de brilho. Levanto picadeiro agora, para armar em outro terreno, mesmo sem coração, mesmo sem amor. Vou levar o que aprendi para onde exista um respeitável público que espere as luzes se apagarem. E que me aplauda de pé.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Enquanto você chora...


Enquanto você chora
Os frutos amadurecem
Os meninos brincam
As árvores crescem
O mundo gira
O Sol não desaparece
A fonte seca
As mãos estremecem

Enquanto você chora
A vida acontece
As músicas mudam
O corpo padece
Às pálpebras incham
O rosto ruboresce
A novela termina
E tantos te esquecem

Enquanto você chora
O coração adoece
O rio faz seu curso
Os jardins florescem
Os olhos embaçam
Você envelhece

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

A dor e a saudade - quem ganha?


Eu acho mesmo que escrever é coisa de gente doida. Gente normal demais nunca tem muita coisa pra contar. Fico aqui imaginando sonhos onde os suspiros fazem frases, que às vezes se atropelam, mas no fim se entendem. E eu sei que sempre vou encontrar motivos pra escrever. Hoje é você, amanhã não sei... Penso que vai chegar o dia em que você não vai mais se ver nas minhas palavras. E eu acho isso tão triste... Mas a tristeza também me inspira então escrevo lamentos até esse maratona acabar. A maratona da dor e da saudade. Elas estão correndo em uma pista chamada vida, sabia? Na minha pista. Na minha vida. O percurso é difícil, mas elas são valentes. Largaram juntas, porém a dor lidera com folga a prova desde o início. Não gosto dela. É minha professora há anos e seus castigos machucam demais. Não quero que ela vença. A saudade embora me faça sofrer, é doce. As duas me ajudam escrever, mas a saudade consegue me trazer alguns nostálgicos sorrisos no rosto. Com a dor são só lágrimas. E essa vida já é difícil demais pra eu querer aprender através de tapas. Quero distância da dor. Prefiro a saudade. E tenho fé, sabe? Estou aqui, na linha de chegada torcendo. E escrevendo. Esperando a saudade superar a dor. E ganhar mais essa prova.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Dieta de você


Eu como você todos os dias. Mesmo você obstruindo toda a circulação de vida do meu corpo. Entupindo todas as artérias. O mesmo alimento que me mantém viva me envenena. Da garganta não sai mais voz. Das pernas não saem movimentos. No rosto não aparece mais sorriso. São os reflexos de uma alimentação desregrada. Mas eu preciso devorar você. Pra saciar meu vício. Pra me sentir viva. Cada pensamento é uma porçãozinha. Daquelas bem gordurosas e salgadas. Que levam ao êxtase momentâneo mas na madrugada seca a boca. E no dia seguinte seca a alma. Mas você continua sendo meu prato preferido. As fotos são um banquete de festa fina. E eu como feito uma selvagem temendo a abstinência. Cada novo texto é sobremesa daquelas com muita calda que eu ataco igual criança mal educada. Quero levar pedacinhos de você pra casa, como aquelas tias que escondem doces nas bolsas. Eu me alimento da sua imagem todos os dias. Mesmo sabendo que não é saudável. Prometo todas as segundas-feiras começar a dieta de você. Mas a obsessão pela tua presença é irresistível demais e nunca consigo ir além da hora do almoço. E me lambuzo com lembranças e promessas esquecidas. A congestão vem quase sempre, em seguida das flexões desesperadas pra te tirar de mim. Mas eu já comi. Mais uma vez não consigo evitar sentir teu gosto. Eu caio em tentação sempre.


domingo, 2 de outubro de 2011

Na contramão

Eu fiz sim, um texto bonitinho de auto-ajuda dizendo que somos as melhores e nada no mundo pode nos abalar. Mas tô sem saco pra isso. Sem paciência pra esse: querer-poder-conseguir. Nem sempre é assim. 
Eu escrevo pelo direito de ser eu, de me assumir. E escancarar todos os cacos e coisas feias que tem aqui dentro. Escrevo para colocar as interrogações de dentro pra fora. Como se as palavras ao saírem pudessem encontrar algum tipo de resposta.
É um alter-ego rebelde e livre que me deixa menos bonequinha. Faz vez ou outra aparecer um PORRA no meio do texto. Assumir a fraqueza. Os desejos...
Mostra a saudade, a tristeza, a raiva e todos os sentimentos que meninas fortes não podem ter. Mas eu tenho. E faço lindos textos de amor que não posso publicar pra não me mostrar apaixonada. E duros escritos de mágoa que me renderiam uns bons tarjas pretas. A gente não pode tudo.
No entanto, na viagem interna das letras me sinto despida frente a tantos, que por tamanha intimidade insistem na prepotência que me conhecem bem. Darlings, nem eu o sei.
Só sento no tapete mágico das palavras e vou pra longe, ensaiando uma viagem que por covardia ainda não me permiti. Mas que a escrita me permite, colocando aqui um aglomerado de frases e afirmando depois que não são minhas. São obras. Um trabalho.
Só por hoje não vou falar que sofrer não vale a pena. Que sorrir é o melhor remédio. E tantas outras lições coloridas tão esteticamente agradáveis mas empiricamente vazias.
As chaves das algemas eu tenho. O par de tênis também. Agora é só correr. Correr de quem eu era e ir atrás de quem eu sou. O esforço deve valer a pena. 


segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Andanças


Tempestades enfrentei sem adoecer
As muitas topadas me fizeram crescer
Chorava nos cantos pra não mostrar fraqueza
Aquela a qual todos comentavam da beleza.
A delicada flor do deserto
Que cresceu sem nenhum amor por perto
E saiu dos templos em busca dos cabarés e das metrópoles
Com um pouco de álcool, bossa nova e rock
Abandonando princípios em troca de emoção
Ofertando a alma por um pedaço de pão
E rabiscando nas estrelas minha doce sina
Que o corpo de mulher e a cara de menina
Haviam pressentido desde o primeiro grito.
Ao Supremo Maior, sem delongas deixei escrito:
'Eu vim pro mundo pra encantar, meu Deus
Mas só sofrimento tive nos dias meus!'
E a Divindade rascunha, embaixo das minhas letras
Naquele céu escuro quase de cor preta:
'Menina, descalça faz teu giro, e reza todo amanhecer
Porque o que não falta na tua vida, é vida acontecer.'


quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Sim, sua culpa.

Depois de horas de lágrimas derramadas, com o rosto exausto se olhando no espelho, você percebe quem é o único responsável por cada uma de suas dores... Você. Suas escolhas.
Nos permitimos achar, julgar, acreditar... nos permitimos amar. E a cada permissão concedida assumimos a responsabilidade das consequências. Mesmo que inconscientemente.
Porém, com a nossa confortável mania de jogar a culpa no mundo, ora o destino é responsável, ora aquele cafajeste com quem você se meteu, ora sua chefe, que insiste em não valorizar seu trabalho. Já parou para pensar que você pode não ser tão bom quanto imagina?
É a maximização do ego se propagando aos montes. Sempre apontamos o erro a algum fator externo. Como se errar fosse cada vez mais proibido. E é.
Ela terminou. Mas não porque você é inseguro, ciumento ou infantil. Ela terminou porque o destino quis assim, e se um dia tiver que ser, vai acontecer. Ok, boa sorte.
O nosso problema é essa dependência do outro, até para atribuir enganos.
A vida vale por si só e as pessoas só podem ser bem vindas quando acrescentam, e não para tapar aquele buraco escuro onde ficam nossos medos.
Olhe-se novamente. É a essa imagem a quem você deve atribuir as consequências dos atos cometidos ou não. A sua felicidade... ou a sua dor. Se demos a permissão, sim, elas são indiscutivelmente nossas.
Não dá mais tempo de culpar sua mãe por não ter colocado mais chocolate no leite e isso ter feito de você um incompreendido na Terra. A vida adulta não tem tanto glamour como pensávamos. É legal poder ir e vir, no entanto a teia que envolve a liberdade é bem complexa. Não é fácil ser livre. Às vezes machuca.
Perceber onde e o porque de cada tropeço. Tomar as rédeas dos erros, dos acertos, da vida... Isso é maturidade. Isso é 'cuidar do jardim'*.
*Alusão ao texto "Borboletas" de Mário Quintana.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Placas indicativas

E quando a gente se dá conta, o mundo gira.
Na verdade, às vezes, parece que chacoalha. Tonteia. 
Faz perder o rumo.
E encontrar novos caminhos.
Se desencontrar.

Dar de cara com placas indicativas repetidas vezes. 
Parece que mesmo no meio do furacão tem uma setinha dizendo: "por ali".
Alguns chamam de "anjos".
Aquela sarjeta que você senta depois de um porre.
Aquele porre que você toma depois de um fora.
A sopinha com cobertor na noite fria.

Anjos vestidos de placas indicativas.
Que te mostram a estrada quando a visão embaça.

Todo mundo algum dia precisa de uma indicação.
Até os grandes. Até os fortes.
O mundo é grande demais pra andar sozinho.
Às vezes o GPS quebra. 
Ou não suporta uma tempestade um pouco maior.

Mas o Universo conspira pra um luminoso acender na avenida.
E um técnico consertar a lâmpada queimada de dentro do peito. Ou dar uma recolhida nos cacos da última que acabou de quebrar.

Anjos. Técnicos de eletricidade. Placas indicativas.
Obrigada.


sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Um ano

O que você faz em um ano?
Em um ano a gente cria, recria, destrói.
Em um ano descobrimos uma nova habilidade. Mudamos de emprego.
Conhecemos lugares, pessoas.
Em um ano cursamos aquela especialização.
Mudamos a cor do cabelo. Perdemos cabelo. 
A gente engorda. Emagrece. Ganha celulite.
Em um ano descobrimos novos mundos, novas sensações, novos sentimentos.
Nos apaixonamos. Desapaixonamos. Apaixonamos de novo. Às vezes por pessoas diferentes. Às vezes pela mesma pessoa.
Mudamos de casa. De cidade. Mudamos a forma de pensar.
Em um ano fazemos amigos pra vida inteira. E conhecemos gente de nunca mais.
Em um ano você paga a TV nova. Troca de carro.
Em um ano se nasce, se renasce. Morre.
Em um ano você perde. Ganha. Perde de novo.
E choramos. E rimos. E aprendemos um pouco.
Desperdiçamos um pouco de tempo. Machucamos alguém.
Em um ano você esquece um amor. E encontra outro. Ou não.
A gente muda. A gente aprende. 
Perdemos velhos medos. Encontramos novos. Redescobrimos gostos.
Um ano...
O que você fez em um ano?

*ps: hoje é aniversário de um ano desse blog... ;)

terça-feira, 28 de junho de 2011

Amor real

Você continua achando as pernas dele lindas, mas de repente outras coisas passam a ter mais importância.
De repente você passa a observar a generosidade, a perspicácia. Sim, aquele sorriso embaixo do chuveiro ainda te derrete, mas o telefonema dele te pedindo ajuda é arrebatador.
O ciúme existe, mas a segurança de que esse amor é seu te permite dormir com um sorriso nos lábios. 
Passar um final de semana inteiro sem ele já não enlouquece mais, a saudade ao invés de machucar, deixa o coração quentinho... 
Um “eu te amo” perde fácil pra um “fica mais”... o valor está na qualidade da convivência, na otimização do tempo junto. Na partilha, na troca... 
Ficar horas embaixo do edredon e deixar o toque falar por si. A sinceridade de um amor tranquilo é um presente de Deus.
Só um abraço no momento certo. Mais nada. Às vezes é preciso pouco pra sentir o muito. O muito que o amor pode ser. E é.

domingo, 19 de junho de 2011

Back!

Não tem jeito, realmente é a inspiração que manda nesses dedinhos aqui, por isso tanto tempo sem postar.
Mas voltei, e espero não ficar mais tanto tempo longe.
Ultrapassamos 20.000 visualizações e 120 postagens no blog. Nem preciso dizer que a alegria é imensa, ainda mais que esse cantinho foi criado sem nenhuma pretensão além de rabiscar alguns dos meus devaneios...
Fiz um texto meio tristinho (post anterior a esse), mas foi o que a inspiração mandou e eu não desobedeço never! =)
Muito obrigada aos leitores e amigos lindos que me prestigiam aqui. Sem dúvida vocês são presentes enviados por Deus nas horas mais precisas.
Um beijo enorme e bora tocar o barco que o show não pode parar!

Coração machucado

Pra falar de dor... sabe, aquela que machuca bem fundo? Que dói só de imaginar?
A dor de dentro fere mais... Porque não tem curativo, não tem remédio. Não dá pra mãe dar um beijinho e dizer que passou. Ela fica ali, latejando.
E transborda pelos olhos. Traz os soluços e aquela sensação de que nada no mundo machuca mais. De que nunca mais vai passar.
O coração tá doendo agora, e nada pode ser feito. A escrita e o choro é um tipo de anestésico temporário. Mas amanhã vai doer de novo. E depois de amanhã também.
Já teve dor no coração? É triste. É sofrido. Ela ocupa um espaço gigante na vida. Faz sombra. E frio.
Dizem que o tempo cura... só que demora um pouco. É como um remédio homeopático, tem que acreditar e ter paciência.
E a gente insiste em colocar a saúde do coração em perigo. Sabe que pode machucar, mas mesmo assim, vamos em frente. Melhor cuidar com mais carinho, afinal a dor é só a gente que sente.
É um dos poucos casos que a automedicação é a melhor saída. Entregar o coração machucado em outras mãos pode fazer mal... Cuida você dele. Esquece os outros. O coração é seu. 
Nós que sofremos, ninguém mais. É insensato pensar que uma outra alma pode curar uma dor que é sua. Pode mascarar os sintomas, como um antibiótico vencido. Mas logo volta, e pior.
Coloca o coração em repouso uns tempos. Se está debilitado precisa de cuidados especiais. Cuida dele até a total recuperação. Interromper qualquer tratamento pode ser perigoso.
Ah, e tenta não machucar ninguém. Dói, sabe? Dói bastante... 
Claro que pode se ferir novamente. Apesar da dor, é o que nos faz sentir vivos. Mas por um tempo é bom dedicar carinho só para o próprio coração, pra cuidar melhor, e não sentir mais aquela pontada ao suspirar.
Cuida. Cuide-se. E vai passar, tenho certeza. Vai passar.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Amor Omnia Vincit

Era um frágil recém nascido. Prematuro. Os médicos não acreditavam que sobreviveria.
Necessitava de cuidados especiais. Precisou ficar na incubadora por muito tempo. Era muito pequeno e delicado.
Todos haviam perdido a esperança. O bebê veio ao mundo cedo demais, não tinha forças para enfrentar a vida.
As luzes se apagaram. Silêncio.
Ouviu-se um choro... alguns fracos sons vindos de onde o bebê estava. E como um milagre divino ele abriu os olhos e parecia querer respirar mais ar que seu pulmãozinho pudesse suportar. Estava vivo. Venceu sua primeira batalha.
O menino ganhou força. Em pouco tempo deixou o hospital e levava alegria por onde passava. Era um menino especial. Tinha luz e ternura. Seu nome: AMOR.
AMOR era um menino comilão e muito carinhoso. Adorava brincar de herói. Corajoso e forte, mantinha uma fé inabalável. Sorria sempre.
Às vezes caía na tristeza. Não suportava ficar sozinho. Sentia sempre muitas saudades... e fome. 
Adoecia às vezes. Trazia alguns problemas desde o nascimento. Mas não era mesmo um garoto comum, possuia um dom especial.
Certa tarde, em uma de suas brincadeiras, o AMOR foi esquecido por seus amigos em um vagão escuro de um trem abandonado. Anoiteceu, e ele, que não exergava muito bem, pisou em um pedaço do vidro quebrado que estava no chão. 
Sentia fome. E AMOR não poderia ficar sem alimento. Senão enfraquecia. 
Ficou sozinho, sentiu falta de casa, mas embora triste, o AMOR venceu a saudade. Mesmo no vagão escuro, o AMOR venceu o medo. Teve paciência para esperar o amanhecer. O AMOR venceu a dor do corte. Venceu a mágoa por seus amigos o terem esquecido. Amanhaceu... O AMOR venceu a distância de casa e foi.
É realmente um garoto especial. Forte. Mesmo com todos os obstáculos, o AMOR VENCE TUDO. 

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Pronta

Estou pronta.
Para viver o que não se vive. Pronta para as abstrações.
Para dizer o indizível. Escrever o indescritível.
Pronta para voar pelas paredes.
Para respirar a falta de ar.
E escutar o silêncio.
Estou pronta para gritar no quarto vazio.
Pintar na tela as cores do branco e preto.
Para afundar em uma poça... Para chamar o que não existe.
Pronta para chorar sem lágrimas.
Para sofrer sem dor.
E ouvir a mudez do sussurro.
Pronta para a alegria sem sorriso.
Para as transgressões dentro da lei... E para as regras proibidas.
Pronta para fazer bater o coração sem artérias.
Para as palavras sem letras.
E para a felicidade oculta.
Máscaras.
Pronta. Para ver o invisível. Para sentir o não tocável.
Pronta para sentir. O não permitido...
Estou pronta.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Recomeçar...

Não sigo nenhuma religião específica mas me considero uma pessoa muito espiritualizada. Converso com Deus todos os dias, às vezes mais de uma vez. E modéstia a parte até que tenho moral viu, Ele sempre me abençoou muito. 
Não frequento nenhum local de adoração nem sou adepta de ouvir canções religiosas, mas essa música em especial me toca de uma maneira bem intensa. Desde a primeira vez que ouvi, há alguns anos, senti uma coisa muito boa, um arrepio de luz mesmo. De vez em quando eu ouço, e hoje em especial tive uma vontade imensa de escutar. Na verdade eu precisava escutar. Ao mesmo tempo que parece entristecer, é uma tristeza que se transforma em força. Tá em looping infinito, já recomeçou uma dúzia de vezes. Me transmite uma sensação tão boa de esperança e fé, que não poderia deixar de compartilhar...

Pai,
Tá difícil manter o caminho,
Tenho andado em meio a espinhos,
Nem sempre é tão fácil acertar.

Pai,
Emoções descalçam os meus pés,
Me roubando em meio a cordéis,
Que me enlaçam em minhas fraquezas.

Pai,
Eu nem sei o que te falar,
Mas eu quero recomeçar,
Me ajuda neste instante.

Preciso da tua mão,
Vem me levantar,
Faz-me teu servo Senhor,
Me livra do mal.
Quero sentir o teu sangue curar-me.
Agora meu Senhor,
Vem restaurar-me.

(Aline Barros)




A última conversa

Estavam frente a frente. Depois de tanto tempo tentando ela finalmente conseguiu que ele a escutasse. Foi difícil.
Tantos meses, tanto amor desperdiçado. Loucuras e declarações desesperadas. O fim.
Foi especial um dia. E ela se apunhalava a cada manhã na esperança de uma dose ínfima de um amor que não a pertencia. Tentou por tempos. Não conseguia mais.
Não suportou a dor do desprezo de quem um dia lhe devotou tanto carinho. Ele havia mudado. Mas, por quê? Teria o sentimento transformado? Teria mesmo existido algum sentimento?
As dúvidas permeavam sua mente deixando-a num misto de fantasia e realidade. No início decidiu abstrair. Fingia estar anestesiada a cada nova ferida. Até que atingiu a carne. E sangrou.
Para estancar, pressionava ainda mais o ferimento. Doía. Ela queria o fim. Implorou por isso.
Mas ele não permitia sua partida. Tinha medo de escutar. O amor não existia, mas havia a posse. E ele a possuía como um ser dependente de seu ar pra respirar. Ele não poderia viver sem aquela que tanto precisava de sua existência. Não aceitava ter a conversa final. 
Todos os dias chegava em casa e ignorava o fato de ter alguém por perto. Alguém em desespero por amor, ou por uma libertação. Checava seus e-mails enquanto ela simplesmente o olhava, sentada do outro lado da sala com seu livro de romance espírita na mão. Tomava chá. Ele, café sem açúcar.
Em uma das tentativas de ser notada, esperou que chegasse no final de mais uma tarde e atraiu-o para o quarto. Trancou a porta. Estavam frente a frente. Depois de tanto tempo tentando ela finalmente conseguiu que ele a escutasse. Foi difícil.
Passaram-se horas. O silêncio era o único manifestante. E assim passaram a noite. 
Acordaram exaustos de uma discussão que não saíra da mente. E desceram para a mesa do café. Pra ela chá. O dele, sem açúcar.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

"Just a little tenderness"

Sabe aqueles dias que você só quer um pouco de colo?
De alguém pra passar a mão no cabelo e dizer: “vai ficar tudo bem”.
Um abraço mais forte pra proteger... um olhar mais profundo pra dar segurança.
Alguém com quem a gente possa de novo se sentir criança.
Sem medo de mostrar fraqueza, sem medo de sentir medo.
Pra conseguir mesmo tirar a roupa de gente forte e se assumir frágil, ao menos uma vez.
E ter a coragem para admitir não ter condições de resolver todos os problemas.
Alguém só para ouvir...
Deixar de oferecer o ombro por uns instantes para ter um ombro. Pra chorar e ter o direito de não achar a vida tão legal o tempo todo.
O ombro pesa demais algumas vezes. E chega a ser humilhante não conseguir lidar com certas situações. A sensação de impotência diante de uma questão que vai além de nossas possibilidades. Alguém alguma vez deve ter falado que devemos resolver todos os problemas, todos. E quando algum foge do nosso controle, o chão parece sumir. E nos sentimos sozinhos em um deserto com a noite fria, sem ninguém pra dividir as angústias.
Nos sentimos sós mesmo não estando... parece ser uma solidão inventada, onde a tortura por não sermos capazes de lidar com tal situação nos exclui do mundo o qual pertencemos. Esse mundo que nos cobra tanto. É como um castigo pessoal: “Não consegue resolver? Então fique só, para aprender.”
E de vez em quando dá vontade de se despir da armadura para se vestir com a fragilidade. Não é fácil... mas faz falta.
Então... sabe aqueles dias que você só quer um pouco de colo?


quinta-feira, 19 de maio de 2011

Forçar. Força. Forca.

Pensando em nossos desejos, em nossos anseios, cheguei a conclusão que nada que se sente pode ser forçado. Todas as nossas necessidades são naturais, mesmo que tenham sido geradas por meios artificiais.
Alguns publicitários, por exemplo, batem no peito firmando que aquele comercial de refrigerante deixou a gente morrendo de sede. Sorry, mas a vontade vem do nosso cérebro, só nosso, ok?
Não se força simpatia, não se exige amizade... sim, até para amizade é preciso química. Quantas pessoas você conheceu e gostou de graça? Ninguém impõe isso, não é possível mandar um comando interno. Sentimos, queremos. É simples.
A inspiração é involuntária. A saudade também...
Carinho, tesão, amor... é espontâneo, vem de dentro. Definitivamente não dá pra forçar. Parece meio óbvio mas às vezes abstraímos certas lições, por interesse talvez, ou pra sermos aceitos.
Na verdade aceitar é a palavra. Aceitar que você não morre de amores por aquele colega de trabalho, ou que está completamente apaixonado pela vizinha. Podemos decidir o que será feito com tais sentimentos, mas controlar, forçar o contrário, é impossível.
Gostamos ou não, queremos ou não, desejamos ou não, sentimos ou não. Ninguém ama ou odeia mais ou menos. 
Você é legal, inteligente, bem humorado. Tem um emprego bacana, manda mensagens carinhosas e é uma loucura na cama. O que falta pra ter o coração dela? Falta ela querer. Independente de ser um príncipe ou um humorista de stand up, se não ela tiver vontade de ter você ao lado, não há qualidades no mundo que a conquiste. Nem mesmo uma dúzia de Louboutins.
O ser humano é tão fascinado pelo desafio, pelo proibido, que quando alguma situação é forçada fica ainda mais deprimente. Força => Forca. Danger!
Bora então correr atrás das nossas vontades, porque se for pra forçar alguém a alguma coisa, que seja para entender que não se força nada... a ninguém.

domingo, 15 de maio de 2011

Entre correntes e gratidões...

Um menino, brincando na rua, encontrou um gatinho. Era um gatinho preto, ainda filhote, estava assustado e faminto. O menino o levou pra casa, deu-lhe de comer e preparou um cantinho para colocá-lo para dormir. Era só por uma noite.
Passaram-se os dias e o garoto foi se afeiçoando cada vez mais ao felino. Até que descobriu ser uma felina, sim, uma gatinha doce e carinhosa.
Era claro que não conseguiriam se separar mais. Até a família se apegou ao bichinho que fez com que o garoto se tornasse uma criança melhor, mais tolerante e mais responsável. Afinal, precisava cuidar da sua nova amiguinha.
Mas a gatinha cresceu muito, em pouco tempo tornou-se maior que o garotinho... foi quando ele percebeu que não se tratava de uma gatinha, era uma pantera.
Quando se deu conta que poderia perder sua amiga, passou a acorrentá-la. Ela, por sua vez, não se ressentia, pois gostava do menino e de seus cuidados, além do conforto que lhe era dado, coisa que não teria na selva.
Porém o tempo passou e o instinto selvagem daquele animal aflorava-se cada dia mais. Os dois já não brincavam, a pantera sentia a necessidade de ser livre, de encontrar seu mundo, mas não queria abandonar quem um dia lhe fez tão bem.
O menino amava a pantera como sua própria vida, mas não a queria longe, por isso mantinha as correntes. E ela chorava todas as madrugadas, como um ser humano. Chorava e lamentava tal situação.
Universos que um dia foram tão próximos de repente tornaram-se absolutamente diferentes. Poderia a gratidão ser a responsável por uma situação que fazia mal aos dois? Medo de perder... medo de partir...
O menino, que não tinha mais sua amiguinha nas brincadeiras, lamentava. A pantera, que desejava explorar o mundo, chorava. E a vida, como se não se importasse com os dois, passava.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Aquela menina...

Ela ri, ela estuda, ela chora... nossa, como chora. Ela trabalha e fala palavrão. Ela dança.
Aquela menina adora Clarice e sapatos. E não tem muita paciência.
A menina sonha, e faz. Fala e ouve. É generosa e egoísta.
Insiste em querer ajudar o mundo, e quer o mundo girando ao seu redor. Ela gira. Ela faz ponta na sapatilha.
Aquela menina delicada e com gênio difícil. Que ama fácil. Já disse que ela chora muito?
Desapegada e passional.
Apaixonada e indiferente.
Batalhadora e preguiçosa.
Ela desloca os quadris ao som do violino. E inventa que histórias de verdade são de mentira. Ela inventa. Se inventa. Re-inventa.
Aquela menina ouve e rock e moda de viola. E se emociona na mesma proporção. Compulsiva por doces e obcecada pelo jeans 38.
Vive de amores e dores.
Tem opinião eterna, que pode mudar a qualquer momento.
A garota paradoxo... filha das metrópoles, dos cabarés e dos templos. Muda de fases e frases.
Ama as palavras e as pessoas.
Ela gira... Abre o círculo, encerra o ciclo. Começa outro. E gira.

domingo, 1 de maio de 2011

A escritora.

Sentou-se em sua penteadeira, com papel e lápis. Ia escrever. Não gostava de escrever à tinta pois era canhota e sua mão borrava toda página passando por cima dos escritos. Era tarde. Sempre esperava a cidade se deitar para mergulhar nos papéis. E em silêncio absoluto, escrevia mais um texto triste.
"Saudade é o que permanece, de quem não permanece. A dor da ausência é a mais dilacerante dor entre todas..."
A tristeza era constante em suas palavras. Gostava de escrever coisas tristes, embora fosse feliz. Uma moça bela, instruída, havia estudado na Capital. E tinha sempre como companhia seus textos. Era admirada por sua perspicácia e sutil delicadeza. As pessoas gostavam do que ela escrevia.
"Quando a saudade é ausente a dor é macia. Conformamo-nos por não poder mais sentir o cheiro.
A saudade que apunhala é a saudade presente. Aquela que podemos encontrar no meio da praça, ouvir a voz. Essa é a saudade que mata nosso coração aos poucos..."
As pessoas gostam de palavras tristes. Seus textos eram até publicados no jornal. Toda semana as donzelas da cidade suspiravam ao ler tais frases tão sofridas e ao mesmo tempo tão confortantes, sim, pelo fato de alguém entender o que muitos sentiam e poder transpor ao papel. Era admirável tamanha sensibilidade.
"Continuo respirando apenas para senti-lo. Pois a mim basta saber que vives para manter-me viva. Mesmo que nunca saibas que vivo para ver tua vida da janela, somente para isso."
Era moça feliz. Mas tinha alma triste. Talvez por isso suas palavras não conseguiam sorrir. Seu coração sorria quando ela escrevia, mas chorava quando ela sonhava. Era sonhadora como todas as outras moças. Gostava de ir à sorveteria aos domingos e de assistir aos mocinhos nas telas de cinema.
"Queria que fosses meu herói. Como nos filmes. Mas preferiste morrer para meu amor ao comprar aquela passagem de trem..."
Continuou a juntar as letras, em sua penteadeira, com lápis porque à tinta borrava todos os escritos... Suas histórias eram ditadas por seu coração doce e sua alma, triste. Mas era moça feliz, e as pessoas gostavam de suas palavras tristes.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

...

"É como se você tivesse mil motivos para sorrir e ser feliz, e apenas um para chorar. E, de alguma forma, esse motivo consegue se sobressair todos os dias.
É como se mil pessoas se importassem com você, menos uma. E, de alguma forma, era a única que você necessitava que se importasse. Porque você se importa com ela mais que tudo."

(Caio Fernando Abreu)


quarta-feira, 27 de abril de 2011

Aviso:

Comunicado aos amigos e leitores queridos desse blog:


Obrigada pela compreensão! =)
Beijoka!


terça-feira, 26 de abril de 2011

Considerações sobre Comunicação.

A pessoa que parece ter formiga na cadeira e não consegue ficar parada, além de trabalhar (em três lugares), ser metida a bailarina, querer manter um blog pessoal e (tentar) ser dona de casa, também resolveu estudar. Sim, depois de cinco anos que me formei, volto às salas de aula pra estudar Comunicação. Nunca pensei que discutir semiótica por horas fosse tão divertido!
Como toda boa nerd que ultrapassa os limites da sala de aula e passa a analisar tecnicamente tudo, hoje parei pra pensar na importância da (boa) Comunicação na nossa vida. Parece um assunto meio óbvio, mas na verdade não queria fazer uma análise técnica, mas sim humana, com todas as inseguranças e deslizes que isso pode trazer.
Nunca fui exatamente um exemplo em oratória, mas também nunca desmaiei ao falar em público. O engraçado é que, dependendo do público, a gente trava. Li isso ontem, se não estamos seguros o suficiente quanto ao que vamos dizer, o tipo de público nos intimida. Falo o tipo de público porque quando sabemos que são pessoas leigas, nos sentimos mais à vontade pra bancar o bam-bam-bam e discursar por horas. Mas quando se trata de um público que domina o assunto, ele domina você também, e só um orador muito seguro pra encarar e realizar essa missão.
Passemos tal situação pra nossa vida, cotidiana. Quando precisamos muito falar com alguém, tendo essa pessoa uma importância relevante pra nós, e estando inseguros quanto às nossas certezas, trava. Não sai, bancamos o tio gago, fazemos um 'embromation' e nada... tínhamos uma bíblia pra rezar na ponta da língua, mas ali face to face a história muda de figura.
Claro que não tô generalizando, aliás admiro demais os que conseguem se comunicar e se fazer entender independente da situação. Mas com esse dom eu não fui agraciada. Sempre me comuniquei melhor escrevendo. Como dizia um amigo: "com um email seu, você consegue até a fórmula da coca-cola". É, realmente através das letras me faço entender melhor. Nunca tive grandes problemas com a fala, mas em alguns momentos importantes eu também "travei".
Seis anos de comércio. Não dá pra negar que isso ajuda demais né? O poder de persuasão de muitos vendedores é incrível e eu aprendi muito com isso. Mas, é venda... convencer do concreto é fácil. "Compra, porque esse produto é bom e vai te trazer muitas vantagens." E convencer do abstrato? "Fica, eu preciso dizer como eu me sinto..." - difícil, muito difícil... pelo menos pra mim. Se um dia eu quiser te dizer como eu me sinto, por favor, ouça! É um lapso desses que só dá a cada década.
Eu escrevo. E amo! É uma das minhas maiores paixões, aliás, já virou necessidade. Se tiver um texto meu dedicado a você, pode se achar... Eu escrevo com a minha alma, profunda e verdadeiramente. Quem já me inspirou a escrever pode acreditar que foi através de sentimentos e/ou sensações puras e intensas.
Porém, em um mundo completamente virtual, onde uma conversa 'olho no olho' muitas vezes é considerada bobagem, espero sinceramente não me prender demais nas palavras escritas e esquecer das vozes, dos sabores, dos cheiros... Não quero ser uma velhinha agarrada ao notebook e descrente nas pessoas. Quero vida além dos textos. Quero vida. E quero textos. 
Então que a pessoa escreve pelos cotovelos e não sabe a hora de parar. Tá, parei. Vou ouvir Kings Of Leon e tomar sorvete de Ferrero Rocher. Existe vida além do teclado... até amanhã pelo menos.

domingo, 24 de abril de 2011

Morra... e viva!

Ressurreição, renascimento... Essa época de Páscoa nos remete a uma viagem interior e ao desejo de renovação. São os ciclos da vida.
Perdeu um amor, ganhou uns quilinhos, o trabalho vai mal... e vem o desespero ao pensar que para o resto de nossas vidas poderemos viver nessa via crucis onde o fardo parece ser infinitamente mais pesado do que podemos suportar.

Já se permitiu morrer uma vez? Nesses momentos onde a dor parece arrancar aos poucos pedacinho por pedacinho do nosso coração? Quando o sofrimento torna-se insuportável a ponto de não querer viver mais... morra uma vez. Desfaleça. Ignore o mundo e jogue-se na sua escuridão. Recluse-se para pensar, pra chorar... chore. Até se cansar e perceber que as lágrimas às vezes funcionam como morfina para o martírio. Durma um pouco e respire... devagar... Morra um pouco.

Ninguém é forte o tempo todo e nem precisa ser. Entregue os pontos quando não der mais. Morra. Vá. Mas depois volte, ressurja.
Volte com o espírito novo. Brilhante. Volte com sua luz e ilumine o seu próprio caminho. Mesmo que não tenha resolvido nada, mesmo que os problemas ainda estejam lá, regresse forte. Altivo. Você é dono das suas escolhas e completamente responsável por suas decisões. Decida. Aceite. Busque.
Não podemos viver por ninguém além de nós mesmos então façamos bem feito. Pedras surgirão, a escuridão talvez volte... por isso morra. Morra e ressurja quantas vezes forem necessárias, em todos os ciclos que precisarem ser renovados. Renove-se. A revolução é constante. Evolua.


Morra e transforme.
Morra e progrida.
Morra... e viva!

quinta-feira, 21 de abril de 2011

A partida.

É sempre triste a notícia que algúem se foi... Principalmente alguém de seu convívio diário, que viveu tanta coisa junto, que foi tão importante para muitas pessoas que você ama...
E de repente, num rompante de suspiro, numa última respiração, a pessoa se vai. Pra sempre. Como aceitar que alguém que estava ali, há minutos, nunca mais voltará? A dor no peito e o inconformismo são inevitáveis, seja qual for a crença, nos primeiros momentos não há quem não sinta o vazio deixado por uma vida querida.
E nos resta pedir força a Deus. Força pra superar, seguir em frente, e principalmente força pra amparar os mais frágeis, os que ainda sofrerão por muito tempo com a ausência, força pra ajudar na plantação de um novo jardim no buraco negro que ficou no coração dos que nos rodeiam.
Ficam as lembranças, os momentos, as lições... muitas lições... entre elas a de que nosso corpo é uma máquina e pode parar a qualquer momento, portanto, cuidemos dele. Mas a mais importante das lições é respirar a coragem de sentir, expor os sentimentos ao mundo, independente de opiniões ou regras. Dizer hoje, porque amanhã pode não dar tempo. Esquecer mágoas, pôr fim aos joguinhos, engolir o medo e VIVER!
Fale, cuide, brigue, ame... enquanto há vida.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Carta aberta.

"Oi.
Eu já entendi que você não quer falar comigo. Então decidi te escrever. Sei que você lê tudo que eu escrevo. Lembra? Foi assim que a gente se aproximou... você dizia que amava ler o que eu escrevia... Então, esse texto agora é pra você.
Não entendo bem seu motivo pra querer fugir de mim, ou de nós. Na verdade, acho que eu entendo e só finjo não entender pra não doer mais.
Tudo que eu queria te dizer é que eu penso bastante em você. Mesmo com nosso distanciamento. Mesmo eu trabalhando tanto e com tantas coisas pra fazer. Eu penso mais de manhã... e a noite. Penso como era gostoso nossas conversas, e nossos carinhos. Eu só queria um pouco disso, entende?
Penso nas coisas bacanas que você dizia. Você sempre foi tão corajoso, sempre disse palavras tão intensas. É estranho não ter coragem de me enfrentar. Não enfrentar assim, de brigar, sabe? Mas enfrentar de dizer o que pensa, o que sente... ou o que não sente mais.
Eu queria poder olhar nos seus olhos pra ler o que se passa neles. Mas você não deixa. Eu só queria te abraçar de novo, pra poder sentir seu calor de pertinho... pra sentir se ainda existe calor, entende? Porque tá tudo tão frio, e eu não gosto de frio. Você sabe, eu chego a bater o queixo quando tá frio, não gosto. E eu não posso fazer você me tirar o frio, por isso eu preciso saber. Preciso saber se eu continuo te esperando pra me cobrir a noite, ou se faço um chá pra me esquentar. Eu sei que você prefere café, por isso eu preciso saber, tá me entendendo? A máquina de café quebrou, faz tempo que você não vem e eu não mandei consertar. Se você não me quiser mais, tudo bem, mas por favor, me fala. Eu nem mando a máquina para o conserto. Vou sentir falta. Muita. Não da máquina de café, vou sentir sua falta. Mesmo longe você está presente em tudo que eu faço, todos os dias. Só me esqueço um pouco quando estou estudando, mas no restante do tempo sempre lembro de você. Desculpa, não quero te sensibilizar com meu romantismo. É só um desabafo mesmo, de uma mulher que tem muito pra fazer, pra viver, mas que para a vida de vez em quando pra sentir saudade sua. Pensa direitinho... não vou morrer de amor se a gente se perder, nem posso garantir que você é o homem da minha vida inteira. Mas é o homem da minha vida. E seria bom se a gente tomasse um café de novo... depois que consertar a máquina.
Beijo."

domingo, 10 de abril de 2011

O sistema.

Aí você se olha no espelho e nota que apesar de tanta porrada não aprendeu nenhuma lição decente que te fizesse ser mais racional... ou menos romântica.
Numa tarde besta você tem um insight que de nada adianta esses testes de revistas dizerem que você é um arraso na cama. E que a cor do batom da moda fica péssimo em você.
Cai a ficha (com o perdão do termo arcaico) que você não passa de um objeto para a sociedade vender mais. E lucrar mais. Lucrar com seu sofrimento, com sua felicidade, com suas celulites novas. E a gente aceita. E a gente quer. E a gente quer ser aceita.
Por que mesmo usando a roupa que o mundo quer, comendo a comida que o mundo manda, ouvindo a música que o mundo impõe você ainda está aí, jogada no sofá com pacote de biscoitos que ficará por meses no seu culote?
Agir como o sistema: "Não demonstre sentimento, eles fogem. Não seja ciumenta, eles espanam. Não ganhe mais, eles piram." Apenas malhe pra dar um up no efeito anti-gravidade, faça sexo duas ou três vezes por semana sem pudor e tenha algo de interessante pra conversar. Afinal, como diria Tati Bernardi: "a gente só quer ter com quem rir no final do dia e ganhar uns beijos no lugar certo."
A complexidade da simplicidade é enlouquecedora. Siga o fluxo, é simples, porém, previsível. Ou seja você, é doloroso às vezes, no entanto, é original.
Confuso? Estranho? E o que mais podemos esperar de um lugar onde chorar é sinônimo de fraqueza e a indiferença transmite poder?
Vontade de apertar aquele botãozinho, mandar as convenções para os ares e... xá pra lá. Esse é um mundo de matrix onde certas dimensões ainda não nos foram disponibilizadas. Sabe lá se um dia serão.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Dorme comigo?



Vem dormir comigo? Vem. Quero sentir você pertinho essa noite. Vai, puxa o lençol, dorme aqui. Deixa eu passar a mão no seu rosto antes de fechar os olhos. Tô com saudade do seu carinho. Vem. Quero sentir sua respiração no meu ouvido. E rir um pouco antes de pegar no sono.
Deixa a chave do carro em cima da mesa e fica. Gosto tanto quando você mexe no meu cabelo. E fica com os olhos pesados querendo dormir. Deixa eu olhar de novo pra sua carinha de sono. Eu quero ter seu braço na minha cintura essa noite.

Fica amor. Tenho tido sonhos ruins. Eu preciso de você pra me proteger durante a madrugada. O timbre da sua voz me acalma. Deixa eu dormir segurando sua mão. A gente pode ver um filme antes. E eu faço café pra você amanhã cedinho. Prometo não te deixar perder a hora. Mas dorme aqui, vai.
Podemos deixar o rádio ligado. E dormir ouvindo Elvis... Posso escrever um poema pra você.
Coloco dois cobertores, pra não puxar seu lado. Te faço massagem se quiser. Fica, pra eu poder abrir os olhos e continuar sonhando com você pertinho. Só essa noite, amanhã você vai. Dorme comigo essa noite, meu amor, dorme.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Decifra-me.

Decifra-me.
Enxerga a malícia da minha respiração.
Tateia os arrepios das minhas costas.
Entenda a verdade do meu sorriso.
Desvenda o mistério do meu olhar.

Envolva-me.
Passeia em minhas curvas sem pressa.
Sussurra meu nome outra vez.
Aproprie-se das minhas mãos. Usa.
Faz do seu corpo minha toalha.

Devora-me.
Me faça sorrir.
Me faça sentir.
Me faça mulher.

Decifra-me.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Um quarto de século.

No dia 04 de Abril de 1986, às 18h50 no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto nascia uma menininha já lutando pela vida. Depois de um parto complicado, uma grave infecção hospitalar fez com que os médicos praticamente desacreditassem de sua sobrevivência. Mas ela venceu sua primeira batalha.
Com oito mudanças de cidade ao longo de sua vida, acostumou-se com desafios e recomeços. Separações e reencontros. Tivera uma infância doce e uma adolescência difícil.
Aos 16 anos iniciou em seu primeiro trabalho. Aos 19 já possuía diploma universitário e aos 20 conciliava seus três empregos (o que aliás, faz até hoje). Casou-se aos 22 e hoje, aos 25 inicia um novo ciclo. Uma nova vida.
Encontrou na dança um refúgio pra alma e na escrita o alimento pra mente. Completamente apaixonada por tudo que lhe queira bem. Ela é assim, se apega a quem dá atenção. Pode afirmar que já viveu dores dilacerantes e amores pra vida inteira. Ela ama, ahh... como ama!
Uma menina que apesar do corpo de mulher (mantido ao custo de muita dieta) tem sorriso fácil. Sensível, se magoa fácil, mas também perdoa fácil. Adora ser mimada e adora dar colo aos amigos. Extremamente exigente no trabalho e CDF assumida, tem algum livro sempre como companhia, além de música e chocolate.
Defeitos? Vários! Como toda ariana, é impulsiva e passional. Hoje lida melhor com isso, a menos que duvidem do que ela fala. Nada a tira mais do sério.
Tem uma família linda, pequena, mas que ama muito. E muitos amigos. Pessoas pelas quais ela agradece à Deus em oração todos os dias.
E agora, com esse quarto de século completo, ela continua com muitos sonhos, metas e desafios. Ser feliz é o maior deles. E o mais importante.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Vivendo e aprendendo a jogar.

Chega de criar expectativas menina. Cresce. Finca esse coração na terra. Endurece.
Se andar não adianta mais, corre. Se correr não bastar, voa. Mas voa com os olhos de uma águia, fixe o alvo. Chega de suspiros menina. Firma.
Mire o objetivo. Não olhe para os lados. Não vire para trás.
Respira pra si.
Vai. Encare a dor nas pernas menina. Enxugue as lágrimas.
Aprofunde o olhar. Aprimore a malícia.
Produza-se. Conscientize-se de seu poder. Seduza.
Não se entregue facilmente menina. Não mostre todas as cartas.
Aprenda a jogar. Jogue.
Perca, mas não se acostume.
Aprenda a ganhar menina... e ganhe... e viva... e cresça.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Mal x Bem

E quanto mais conheço o ser humano... mais admiro os animais. Homem - uma espécie que maltrata, engana e humilha sem o menor pudor. Como é possível tanta podridão prover de uma criação divina? O que os homens estão fazendo, meu Deus? Por que tanta injustiça?
Longe de mim bancar a revolucionária, até porque Che Guevara nunca foi meu ídolo de poster de parede. Porém, basta ter um pouco de sensibilidade pra perceber o quão sujo está se tornando o mundo. E o quanto estamos passíveis a essa sujeira, cada dia mais.
Nos calamos por medo, medo de indivíduos ou políticas indecentes que por poder são capazes das maiores atrocidades. Poder... o mal que move o planeta. O real motivo de tanta hipocrisia, tanta desigualdade, tanta vida desperdiçada.
Verdadeiros prostíbulos disfaçados de finos escritórios no alto da cidade. Gente que se vende por pouco, por nada... Nada que compre dignidade, brio.
A malícia perversa sobre essa gente batalhadora. Essa gente muitas vezes inocente que em troca da compra do mês oferece a alma, a alma livre de maldade e facilmente ludibriada por ratazanas pútritas.
Desculpem-me os acomodados, mas não consigo encarar com naturalidade qualquer tipo de desvio de caráter, principalmente se usado para autopromoção ou pior, para destruição (do que, ou quem quer que seja).
Se me questionarem hoje, não, eu realmente não creio na punição de toda essa alcateia que devora sangue apenas por vaidade. Mas continuo tendo fé no ser humano, na evolução massificada da mente. Então que todos lubrifiquem vossas engrenagens e coloquem a máquina pra funcionar, a principal, o cérebro. Afinal, a única arma letal para maldade continua sendo ela, a inteligência.

sábado, 26 de março de 2011

Quando o passado bate à porta...

Nós e o nosso medo de um passado doloroso ou mal resolvido voltar à tona. Acontece.
Você está bem, vivendo a vida como se deve quando um fantasma aparece querendo te assombrar... ou pior, quando aparece vestido de anjo tentando te ludibriar... e você ri!
Percebemos então que possuímos o poder. E toda a tremedeira que você achou que ia ter com o "flashback" virou... nada. Com a maior naturalidade do mundo, viramos as costas para o passado e o deixamos lá, onde é seu lugar. O que passou já não machuca, não causa taquicardia, nem sorriso no lábio. Virou estátua. Uma arte que com certeza nos ensinou muito.
Em tudo há um propósito do Universo. Vivemos sentimentos ruins para aprender o que são sentimentos bons. Nos iludimos com um falso amor para entender como é o verdadeiro.
Decepções são pontes que nos levam à sabedoria. Não sei se sou sábia hoje, mas graças a uma tempestade lá atrás, hoje conheço as cores do arco-íris de perto! Com algumas nuvens, às vezes... afinal, cor demais também enjoa.
O mundo está nas mãos daqueles que tem coragem de correr o risco pra se viver. Acomodar-se com uma situação ruim não é atitude de vencedores. Cada adversidade é um aprendizado novo e isso é impagável. Não podemos mudar o que passou, não podemos prever o que virá... mas devemos agarrar com força e viver intensamente essa dádiva chamada de "presente".


Beijos!